"Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres. Se voltarem é porque as conquistei, se não voltarem é porque nunca as tive ."

sexta-feira, 26 de novembro de 2010


A aula passava-se a uma velocidade que em nada se assemelhava à vontade dos alunos. O desejo era o de sair, saber o que se passava lá fora, onde o pessoal percorria o corredor e sorria espontâneamente, apesar de tudo esse desejo, não era possível. Então, os olhos dela escapavam-se para a janela da sala ao lado da sua como se de um íman invisível se trata-se e nada pudesse fazer para mudar esse seu acto. Ficava todo o tempo daquela aula a admirar os actos daquele ser maravilhoso que estava do outro lado, perdia-se nele, nos seus gestos, nas suas feições, gostava um tanto dele que faltavam os adjectivos para atribuir o valor e as palavras para o expressar, mas sabia no entanto que a vida nem sempre é justa e há actos de pessoas que não podemos mudar, por muito que fosse esse o seu sonho e deseja-se perder-se mais uma vez nos seus braços, nas suas mãos que ele dizia serem grandes mas que ela adorava, dava-lhe segurança, ele sabia tão bem disso, gostava de poder dizer-lhe uma última vez que o amava e despedir-se com um último beijo, beijo esse que tinha ficado a pairar no ar e que nunca tinha sido entregue. Oh, estava tão absorta nos seus pensamentos e a mirá-lo que nem se lembrava em que aula estava e o que estava a dar, andava perdida, sem rumo, sabia isso perfeitamente, até gostava, conseguia mantê-la serena, assim nada a incomodava, vivia bem com isso, mas tinha de acordar deste mundo à parte onde se encontrava, precisava de acordar e voltar a viver com o seu habitual sorriso e as suas gargalhadas estridentes. Triiim, era o toque de saída, saiu dali com a sensação que algo tinha ficado inacabado, talvez não tivesse acabado a descrição dele, talvez não tivesse acabado de expressar o quanto o amava, talvez não tivesse acabado o que tinha de acabar, talvez falta-se algo do mais importante, tinha-se esquecido que houve coisas que nunca disse.


Nunca deixes que nada fique por fazer, por dizer, não sabes quando tudo pode acabar e podes arrepender-te, não do que foi feito, mas sim do que não foi.

P.S: Fofinhoo, eu amo-te assim como a ninguém, isso nunca me esqueci de dizer, só faltou mesmo dizer que depois de tudo, sem ti já não sei muito bem como se vive e faltou algo que me deixa triste, é que sabes, nunca te disse, não queria que ficasses a sentir-te culpado, mas sendo sincera, fiquei magoada, é daquelas coisas que inevitavelmente acabam por acontecer, eu não queria, a sério que não, preferia não sentir nada, mas senti, não, nunca te odiei, mas houve momentos em que pensei, "porque a mim, serão atitudes normais? Será que tudo isto que estou a passar é de mim ou é dele? Afinal como é? Num dia amasse no outro não?", enfim, agora não importa muito, no entanto, tiro o peso que sempre mantive em cima para fazer com que fosses um bocadinho mais feliz, como tenho a esperança e sei que agora és, posso dizer, até porque por mais que a situação custe, não te posso pedir para voltar nem para tentarmos de novo, sei que nunca o irias permitir, então, pelo menos assim sei que sabes mesmoo uma verdade completa e que hás-de saber também que continuo aqui, sempre :')

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