Tinha sido tudo tão rápido, que depois daquela noite em que tinha simplesmente tido um bloqueio de escrita, nunca mais escreverá. Desta vez, não por não saber o que escrever, não por estar absorta em sentimentos contraditórios que desconhecia. Desta vez, não o tinha feito, porque se apercebeu da falta de tempo que possuía. Tinha passado os dias a pensar nele, e a contar os dias que faltavam para o ver de novo. Durante esses dias em que deixara de escrever, tinha-se apercebido que aquele olhar tinha sido bem sentido de ambas as partes, e agora, mesmo que quisessem, já não se largavam dia e noite, eram as chamadas, as sms's fofinhas, o adormecer a falar com ele, o acordar a falar com ele, era a beleza da adolescência, dos anos de ouro, do primeiro amor, sentido, fraco, ingénuo, imaturo, enfim, perfeito aos olhos de uma simples rapariga apaixonada, uma rapariga que, possuía agora, um brilho nos olhos que encantava qualquer um. Não sabia o que tinha visto ali, naquele ser que a tratava como a uma princesa e que a encantava mais a cada dia com as suas palavras de apoio, não sabia mesmo, pois como conseguia ela própria ver, ele não era perfeito, e nem de perto nem de longe, o estereótipo do rapaz com quem as raparigas sonham casar e ter uma vida, mas tinha um brilho especial, um interior fascinante, ao fim ao cabo, tinha sido tudo isso e ainda a forma calma e serena como usava as palavras e reproduzia os seus actos que a tinha encantado. E agora, estava assim, passado quase uma semana, sem ainda ter escrito, à espera do tão esperado momento, em que iam estar juntos e em que ela, ia viver as emoções que tinha reprimido toda uma semana, à espera de as libertar com ele, à espera de puder sorrir. E ao fim de contas, a verdade é que, mesmo apesar de por um lado ser esse o desejo, e de por outro ser esse o seu medo, o tempo tinha passado, já era o dia, o dia que esperava, mas tinha sido tudo tão rápido.
(Entre o real e a ficção)

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