E andamos nisto. Andamos nisto há muito tempo, acho que se quisesse sabia precisar o dia exacto, mas acho que até já isso perdeu a força. Para que lembrar-me? Para perceber outra vez, que estamos metidos numa máquina de eterna indecisão? Que não sabemos lidar com isto, seja lá o que isto for, da forma que era suposto? Já devíamos saber o caminho a seguir, já devíamos ter dito as palavras não e adeus, vezes sem conta, mas não as dizemos, eu, porque fico à espera que sejas tu a usá-las e ainda tenho esperança que não existam no teu dicionário, tu, porque com esse teu coração, por muito que as queiras dizer, não consegues expressá-lo. E estamos nisto, há muito tempo, e pelos prognósticos que vou tendo e pelas pontinhas de felicidade que vão aparecendo, acho que vamos ficar nisto, que não sabemos bem o que é, durante muito tempo. E seremos sempre nós os dois, eu e tu, de mãos dadas com a eterna indecisão, de mãos dadas com a falta de decisão, de mãos dadas com os corações desligados do resto. E seremos sempre nós dois, à espera que alguém nos diga que é um não, um adeus, mas que não tenhamos de ser nós a dizê-lo, porque na verdade, acho que fazemos falta um ou outro, mesmo que não seja para nada de mais, é para vermos os passos que cada um de nós dá, é para percebermos o quanto crescemos. E andamos nisto, há um ano e tal, e ambos sabemos que vamos ficar assim, até descobrirmos o verdadeiro amor das nossas vidas, que vai deixar de lado a eterna indecisão e dar lugar à nossa eterna felicidade, em pólos opostos, separados, mas sempre ligados por um passado bonito, e por mãos dadas de várias formas. E andamos nisto.
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