
Já tinha passado uma semana. Uma semana desde aquele dia em que tinha passado uma tarde especial, a primeira de muitas com ele, esperava. Uma semana, desde que tinha utilizado as palavras para expressar o que quer que fosse. Uma semana em que se tinha permitido a si mesma, deixar-se ir, entregar-se de alma e coração. Já tinha passado essa semana, e agora, estava prestes a encontrar-se com ele outra vez, outra vez naquelas piscinas que já lhe pareciam familiares, outra vez naquela relva molhada que já considerava deles, outra vez, num dia de sol, de calor, num dia, que pressentia, ir ser de alegria. Mas não deixava de sentir um nervoso pequenino, não deixava de tremer um pouco, não deixava de pensar, que podia correr mal, que podia (outra vez) não saber o que fazer, o que dizer. Tinha acordado com uma mensagem dele, um "bom-dia fofinha", reconfortante, com um "espero por ti, já falta pouco", animador, e agora, era ir, deixar-se levar, o que tivesse de ser seria. Chegou, esperou uns momentos, deixou-se ficar por ali, a jogar às cartas, com a sua companhia, mas completa-me a leste do que se estava a passar. Ele chegou. Estava ali. Ao seu lado. Juntinho a ela. Ficaram por ali uns momentos, a trocar olhares, a jogar, a conversar, e decidiram ir à água. A água está fria, mas ela, ali junto dele, sentia-se tão bem, que dificilmente repararia no quando tremia devido à fria água e ao desaparecer de um sol que estava tão bom. Então deixaram-se ficar ali um pouco, a apreciar a companhia um do outro, abraçados, sentido o contraste e os olhares do mundo à sua volta. Não durou muito, o poder da mente sucumbiu ao poder do corpo, e foram aquecer-se, já não estavam a suportar a fria água, apesar de por dentro estarem quentes. Então deixaram-se ficar ali, nas toalhas secas, a sentir o vento morno, o sol a bater-lhes na cara, as mãos a sentirem a relva fria, a saborearem cada palavra um do outro como se fosse a última, a aproximarem-se cada vez mais, a apreciar cada abraço, a memorizar cada sorriso, a viverem cada mãos dadas. Ficaram ali, a trocar sorrisos, abraços, beijinhos. Ficaram ali a sorrir, ficaram ali, à espera do momento certo, para pousarem os lábios um no outro, e então, foi o momento deles, o momento em que, puderam irremediavelmente ser um do outro, o momento em que puderam e foram, como duas pequenas crianças ingénuas, felizes. O tempo tinha passado, e era hora de se separarem. De se separarem com a certeza, que iam haver muitos momentos assim, muitos momentos de pura e verdadeira felicidade nos seus corações. E já tinha passado uma semana, uma semana que tinha mudado muita coisa, uma semana que tinha mudado tudo, tudo o que ela achava ser a sua verdadeira vida, mas estava tudo, agora sim, como sempre desejará. Afinal, já tinha passado uma semana.
(Entre a verdade e a mentira)
P.S. E faz amanhã um ano, mas parece que foi ontem, ontem que era assim, uma pequena coisinha feliz. E já lá vai o tempo. xz