
A vida é irónica, não é? Estou aqui a escrever-te mais uma vez, e nem sei porque o faço. Se é para deixar de te sentir, se é por te sentir cada vez mais. Há uma semana atrás, fiz 17 anos. Era suposto ter sido uma data feliz, afinal não se fazem 17 anos todos os dias e estava rodeada pelos melhores amigos do mundo, ou quase. Mas não foi, não foi mesmo nada feliz. Senti a tua falta, sabes? Queria-te junto a mim, a dar-me os parabéns com um sorriso e a dizeres que querias que eu fosse muito feliz porque merecia. Em vez disso, ficou o vazio, não te vejo há mais de um mês, desde aquele dia em que te despediste com um beijinho na testa e me disseste minutos antes que ia arranjar melhor que tu, porque merecia. Mas quem é que te disse que eu queria melhor? Nunca quis melhor, nem pior, quis-te simplesmente a ti, cheio dos teus defeitos e das tuas qualidades, a transbordar carinho por mim em todos os poros e a mostrar um sorriso sempre que era preciso. E estavas enganado, tens noção disso? Não encontrei melhor que tu, talvez porque não mereço, ou então porque por muitas qualidades que os outros tenham, eu só te consigo imaginar a ti e penso no que tu ias dizer de tudo, e de todos. E não quero escolher ninguém que não sejas tu, podia, é verdade que podia, voltamos outra vez à história dos pretendentes, né? Mas não quero. Não agora que ainda estou tão cheia de ti e sinto a tua falta a toda a hora e vejo nos mais pequenos gestos banais alguma coisa que se relaciona contigo. Estou meio perdida, sabias? A minha adolescência foste tu, e o meu amor por ti, com pausas no meio, mas com o sentimento sempre lá e agora faço o que? Não posso magoar montes de pessoas até encontrar o substituto ideal de ti, até encontrar o amor outra vez, mas também não podemos tentar de novo. É decadente, estranho e no fundo ridículo. Bem, não vale a pena continuar, tu sabes bem o resto.
Com amor, AB.
J: Cala-te, tu veneras-me! x)
A: Sim, e tu não vives sem mim. +.+
Será?